
Finalmente, depois de 11 anos, a Justiça decidiu colocar na cadeia o calhorda Pimenta Neves, ex-diretor de redação do jornal O Estado de São Paulo, pelo assassinato – calculado, covarde e frio – da também jornalista Sandra Gomide (à época com 32 anos).
Assassino confesso da ex-namorada, ele havia sido condenado a 19 anos de prisão por júri popular, em 2006, mas conseguiu, no STJ (Superior Tribunal de Justiça), reduzir a pena para 15 anos, em regime inicialmente fechado.
Apesar de ter confessado ter dado dois tiros – um nas costas e outro na cabeça – o jornalista conseguiu ficar impune durante todo esse tempo, com a aquiescência, inclusive, do Supremo Tribunal (STF).
Quase 11 anos depois de cometer o crime, Pimenta Neves continuava solto, graças a diversos recursos propostos por sua defesa em diversos tribunais.
Agora, o imponente e arrogante jornalista vai passar uns tempos vendo o sol nascer quadrado. Infelizmente, não cumprirá o castigo merecido: os 19 anos a que foi condenado, mas pelo menos por dois anos vai confabular com si mesmo sobre os valores da vida. Por exemplo: se valeu a pena abrir mão de uma carreira de sucesso e prestígio por não aceitar levar um fora de uma subordinada.
O Caso Pimenta Neves é apenas mais um exemplo do canalhismo e da promiscuidade que imperam no jornalismo brasileiro, onde detentores de cargos de chefia usam e abusam dos seus comandados para exercitarem suas vaidades, neuroses, psicopatias e taras sexuais.
Como também retrata a ingenuidade (em alguns casos) e o oportunismo de algumas profissionais que se prostituem com seus chefes em busca de prestígio profissional. Pode até não ser o caso da Sandra Gomide, mas é uma prática comum nesta profissão, em qualquer lugar do mundo.
Na Paraíba, por exemplo, os dois exemplos são muito comuns e até mesmo uma instituição profissional. Aqui, a ordem usar o poder de comandar para comer as colegas e foder os que se atrevem a questionar essa promiscuidade.
O pior é que alguns chegam a exercer este poder colocando a própria esposa como moeda de troca. Um exemplo prático do conceito bíblico do “é dando que se recebe”.
Pelo menos até agora não se tem notícia alguém ter assassinado um colega, mas não são raros os caso em que profissionais de Imprensa foram – e continuam sendo – sumariamente afastados de suas funções por obra e graça do canalhismo e do mau-caratismo dos seus chefes.
E antes que alguém se manifeste com indignação ao que eu digo, antecipo-me em ficar à disposição para dizer os nomes dos santos. Por enquanto, conto apenas os milagres.
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