Por mais que o Ministério Público tente buscar soluções para o problema da violência das torcidas organizadas, o resultado de todas as iniciativas acaba sendo o mesmo: não acontece nada. O problema é que o MP atua com rigidez no varejo, mas se omite no atacado. A origem do problema está nos próprios clubes. Os dirigentes dessas verdadeiras gangs, que se intitulam “torcidas organizadas” são meros “cupichas” – muitas vezes, cabos eleitorais - dos homens e mulheres que comandam o futebol brasileiro, particularmente o da Paraíba.
De nada adianta tomar providências enérgicas contra os dirigentes de torcida, se os verdadeiros bandidos que comandam este seguimento do crime organizado são os dirigentes de clubes, que alimentam o espírito de violência das torcidas organizadas com dinheiro e ingressos. O dinheiro, em alguns casos, é utilizado para a compra de drogas (normalmente o chamado “Loló”), e os ingressos como passaporte para o cenário de batalha: os estádios.
Há cerca dois anos atrás eu passava por um grupo de membros de uma dessas torcidas organizadas, quando um dirigente da mesma dizia aos rapazes que o dinheiro que “o homem” – um dirigente de clube - mandou só deu pra comprar “alguns baseados” e meio litro de “Loló”.
O grupo de jovens torcedores, muitos deles de menor idade, estava reunido na praça localizada nas proximidades da Secretaria de Segurança e Defesa Social, no bairro de Mangabeira VII. Por volta de 15h00, o dirigente da torcida trouxe mais “produto”, os rapazes “fizeram a cabeça” e depois forma para a Avenida Josefa Taveira, a principal de Mangabeira, para pegar o ônibus que os levou ao estádio.
Se a memória não me falha, o jogo daquela tarde era Botafogo X Esporte de Patos e o time da capital acabou perdendo dentro do “Almeidão”, o que gerou uma série de vandalismos nas imediações do estádio, com confrontos entre policiais e integrantes de torcidas organizadas do time da capital.
Aliá, a bem da verdade, é preciso que se diga que as torcidas organizadas do Botafogo são as mais violentas, as que mais provocam tumultos e vandalismos. Claro que no interior do Estado isto também acontece, mas com a autoridade de torcedor do Botafogo eu afirmo que somadas todas as demais torcidas organizadas, elas ainda perdem feio para as do Botafogo.
Como nunca se fez nada para combater a ação de dirigentes de clubes que, em sua maioria são muito mais bandidos que os dirigentes de torcidas organizadas, esse filme vai continuar sem uma cena final que seja do agrado da sociedade. A morte do jovem Wallace Maranhão Morais, amigo do meu Filho Giancarlo Rafael, não foi a primeira e, certamente, não será a última, mas pode ser o ponto de partida para uma solução definitiva pára o problema.
Pra começar, que tal proibir de uma vez por todas o acesso das torcidas organizadas aos estádios? Em princípio, pode parecer que eu estou me contradizendo, mas isso pode gerar uma reação em cadeia que levará as autoridades do Estado a descobrir os verdadeiros chefes dessas gangs.
Como todos os chefes de torcidas são protegidos dos dirigentes de clubes, eles não vão aceitar ser banidos dos estádios. Logo, vão exigir providências dos seus protetores. Com certeza esses dirigentes, muitos ligados a grupos políticos vão procurar “mexer os pauzinhos” para reverter a decisão. Ao está o “pulo do gato”, basta colocar na cadeia esses dirigentes. Eles sim, são os verdadeiros chefes do crime organizado travestido em torcidas de futebol.
Outra coisa. Pra não dizer que não falei das flores, alguns coleguinhas de batente, que passam de vez em quando na Federação Paraibana de Futebol para receber aquele famoso “Jabá”, também deveriam passar algum tempo na cadeira. Eles sabem de tudo, vêem e ouvem tudo, mas fingem que não sabem de nada para não desagradar a cúpula da FPF. Eles sabem do que estou falando...