sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Jobim falou como tucano, desmentiu como advogado e bateu pino como político


A saída do ‘tucano’ Nelson Jobim do Ministério da Defesa poderia ter sido menos traumática se o ínclito jurista não tivesse afundado seu prestígio no próprio mar de lama de críticas, revelações e desmentidos. Pra quem tem como sonho de consumo político chegar à presidência da República ele acabou pavimentando foi a rejeição ampla, geral e irrestrita até mesmo pra se eleger vereador nas próximas eleições.

No Ministério da Defesa, Jobim dava declarações com a empáfia de um tucano, desmentia com o cinismo do advogado que o é, e quando sentiu o calor da fritura, acovardou-se com a ‘dignidade’ dos políticos. A sua saída do governo – e, muito provavelmente da cena política – foi lamentável, lastimável e vergonhosa, por toda a biografia que ostenta.

Um dos nove ministros a ficar no cargo depois de Dilma Rousseff assumir a Presidência, Jobim deixa o Ministério da Defesa depois de quatro anos de gestão. Ele é o terceiro ministro a deixar o governo Dilma em menos de oito meses. Ao contrário de Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes) que deixaram o governo por suspeitas de irregularidades, Jobim sai por conta de declarações polêmicas que proferiu nos últimos dias.

No fim de julho, Jobim admitiu publicamente que havia votado em José Serra (PSDB). A presidente Dilma ficou indignada com a admissão pública, mas acabou decidindo manter o ministro na pasta.

Nesta semana, no entanto, a situação ficou insustentável, depois que a revista Piauí publicou perfil de Jobim no qual ele fazia críticas às ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Segundo Jobim, Ideli era "fraquinha" e Gleisi "nem conhece Brasília".

CARREIRA BRILHANTE

Presidente do Supremo Tribunal Federal de 2004 a 2006 e ministro da Justiça do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1997), Nelson Jobim assumiu cobrando pontualidade e segurança das empresas aéreas.

Também promoveu mudanças nas direções da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), então alvos de denúncias de ineficiência e corrupção.

Na área militar, ele ganhou prestígio com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Com o ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos Roberto Mangabeira Unger, Jobim elaborou a Estratégia Nacional de Defesa.

O plano estabelece ações de médio e longo prazo, com o objetivo de modernizar a estrutura nacional de defesa por meio de uma nova filosofia de emprego das Forças Armadas.

Pior mesmo do que toda a pirotécnica armada pelo por Nelson Jobim para demonstrar ‘independência’ aos colegas do ministério e a base política do governo – além de agradar ao amigo José Serra (PSDB) – foi abrir espaço para a volta do ex-chanceler Celso Amorim ao governo.

Como ministro das Relações Exteriores, Amorim estabeleceu laços diplomáticos de amizade, cumplicidade e subserviência do Brasil com países governados por ditadores e sanguinários, como o Irã de Mahmoud Ahmadinejad, a Venezuela de Hugo Chaves e Cuba dos Fidel e Raul Castro.

Agora, na Defesa, Celso Amorim terá nas mãos o controle sobre a compra de equipamentos para as Forças Armadas brasileiras, a começar pela definição sobre a aquisição de caças para a Aeronáutica. Não será surpresa alguma se optar pelos aviões russos. Quem sabe também por tanques sírios, metralhadoras iranianas, coletes venezuelanos e granadas cubanas. Dilma pisou na bola outra vez.

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